segunda-feira, 21 de abril de 2008

Dos gramados para a sala de aula

Sonhos idealizados deram lugar a objetivos concretizados

Menino de origem humilde, que cresceu com dificuldades, e que desde cedo sempre teve como meta ser um grande jogador de futebol. Com essas palavras pode se iniciar falando de milhares de garotos em todo o Brasil, até porque querer ser jogador por aqui não é novidade, e sim o sonho de dez entre dez crianças, e com esse capixaba quase baiano não foi diferente.

Nascido em Aracruz no dia 1º de agosto de 1974, logo foi morar com seus pais em Itamaraju, na Bahia, terra onde vivia na época toda sua família. Lugar onde cresceu ao som do swing da música, da dança, da comida apimentada, com sotaque arrastado, meio devagar, enfim, todas as marcantes características tipicamente baianas que acabaram por construir a personalidade de Rodrigo Rossoni.

Dessa infância com os pés no chão, correndo atrás da bola no futebol com os amigos, ou se divertindo nos banhos de chuva pela rua, foi crescendo então o caçula Rodrigo, irmão mais novo de Wagner, Ronnie, Giovani e Marta Regina, todos eles filhos do caminhoneiro Ailton e da costureira Carmem.

Na Bahia, ele teve contato com todo o tipo de gente, de diversas etnias e classes sociais, seja brincando, estudando ou fazendo qualquer outro tipo de atividade. Dessas relações foram construídas as amizades de verdade, que Rossoni teve que deixar para trás em 1993, quando se mudou para Vitória atrás de realizar seu sonho de menino, ser jogador de futebol.

Chegou aqui no seu último ano do ensino médio, e pela primeira vez na vida teve contato com uma escola particular, graças a uma bolsa de 80% de desconto nas mensalidades. Situação difícil, dinheiro contado, irmãos e pais se desdobrando para dividir os gastos e dar tranqüilidade para ele estudar, e tentar jogar a Copa A Gazetinha, competição de futebol para garotos, realizada no Espírito Santo.

Mas aí surgiu um grande empecilho: A competição tem idade limite de 15 anos, e Rossoni já completara 16 naquela altura. Foi quando ele e toda a família perceberam que as dificuldades para se tornar um jogador e seguir no futebol seriam enormes, então ele teve de abandonar o seu sonho, se dedicar exclusivamente aos estudos e passar no vestibular.

Nesse novo desafio em sua vida, ele teria que buscar primeiramente um curso com o qual tivesse identificação, e lendo tudo o que já foi escrito até aqui, chega-se à conclusão de que Rossoni optaria por Educação Física, claro, mesmo que não seja um curso que trate exclusivamente do futebol, estaria ligado ao esporte e poderia levá-lo mais a frente, a uma nova relação com o futebol, não mais como jogador, mas numa outra função. Quem pensou assim, enganou-se.

No pré-vestibular ele se interessou pelo Jornalismo, pois Rossoni queria fazer reportagens e conhecer novas realidades. Então, em 1994, foi aprovado no vestibular para Comunicação Social, na Ufes. Já dentro da Universidade ele conheceu o que seria sua grande paixão dali em diante, a fotografia.

A forte capacidade de comunicação da fotografia, logo atraiu Rossoni, que cada vez mais foi se ligando a ela. Como sempre gostou de discussões em torno de problemas sociais, ele viu na fotografia um meio de se incluir e contribuir. Durante seu período acadêmico ele realizou trabalhos como “Signos da Fé” ensaio fotográfico sobre a Festa da Penha, padroeira do Estado e "Andanças na Ilha".

Em 1997, ele desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, “Um Olhar Sobre a Infância”, revelando fotos que mostravam a exploração de crianças em carvoarias e canaviais no Estado. Formado, esse trabalho abriu portas para ele, que viria a trabalhar em grandes jornais como A Gazeta e Gazeta Mercantil.

Mas um convite mudaria de novo sua história. O convite da Faesa para virar professor, fez com que Rossoni abandonasse o jornal A Gazeta e seguisse por um novo rumo, outro desafio que surgia em sua frente. Nesse mesmo período passou nas provas para o mestrado, e talvez por isso também tenha aceitado o desafio de virar professor, pois lhe possibilitava voltar a estudar. Hoje ele faz doutorado.

Sua ligação com a fotografia não estava fadada ao esquecimento, além de dar aulas da disciplina na faculdade, ele continuava a trabalhar como free lancer para outros veículos do Estado. Sempre disposto a ajudar, na Faesa ele também se ligou ao projeto Rumo à Estação Cinema (REC), onde participa da coordenação do evento de vídeos Universitários.

Com uma dedicação sempre muito grande no que se propõe a fazer, ele certamente faria qualquer outra coisa muito bem, por isso, o futebol pode se lamentar por ter perdido um grande jogador e a comunicação agradecer por ter ganhado um grande profissional.

1 comentários:

Marta Rossoni disse...

A este cara que nos faz refletir com suas poucas palavras que eu o chamo de irmão, desejo o mundo para ele.

Bjs

Marta Rossoni